Ficámos virais com a Amália. Aqui está o lado de marketing.

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Há algumas semanas, Portugal lançou a AMÁLIA, o primeiro modelo de linguagem open source do país. Na manhã seguinte, o Henrique teve a ideia: não há nenhuma interface pública para testar o LLM. Porque é que não criamos uma?

Toda a equipa gostou da ideia.

O que se segue é a linha temporal de marketing dessa história. Não o lado técnico (sobre isso, escrevemos aqui), apenas o que fizemos, onde acertámos e errámos, e como o marketing se move quando o tempo é tudo.

Quase jogámos a jogada errada

O Henrique partilhou a ideia por volta das 10h. A primeira coisa que fizemos, como marketers, foi pegar na alavanca óbvia: imprensa.

Portugal tinha acabado de lançar o seu próprio LLM no dia anterior.

Os mídia nacionais já estavam a escrever sobre isso. Uma narrativa como "o estúdio que deu uma cara à AMÁLIA" parecia feita para um press release.

Por isso começámos a contactar jornalistas. É a jogada que se faz quando se assume que a história é a história.

Só que não era.

O sinal que quase perdemos

Por volta da hora de almoço, andava a fazer scroll no Reddit e encontrei uma publicação de um utilizador que tinha instalado a AMÁLIA na sua própria máquina local. Para um modelo com apenas um dia de vida e desta dimensão, o engagement no post era incrível. As pessoas perguntavam como corrê-lo. As pessoas perguntavam onde experimentá-lo. As pessoas pediam um website.

A imprensa ainda era a nossa primeira jogada, e ainda estávamos confiantes que funcionaria, por isso mantivemo-la. Mas tínhamos em mente que as pessoas estavam curiosas para testar a AMÁLIA. Por isso traçámos o plano: lançar a interface, lançá-la hoje, e colocá-la à frente dos media portugueses primeiro, e depois do Reddit e do X, antes que alguém o fizesse.

Oito horas da ideia ao lançamento

Quando tens uma equipa habituada a mover-se rápido, coisas grandes acontecem. Enquanto a equipa de desenvolvimento trabalhava na interface, as equipas de Design e Marketing começaram a tratar do conteúdo, distribuição e assets visuais.

A linha de tempo aproximada desse 2 de julho:

  • 10h: O Henrique partilhou a ideia, começámos a trabalhar.
  • 11h: A linguagem de design e o logótipo estavam em curso. Decidimos manter o mesmo esquema de cores do website original de https://amaliallm.pt/. Os principais assets de marketing também estavam em curso. PR, newsletter, posts para redes sociais.
  • 13h: Sinal do Reddit detectado.
  • 16h: Um jornalista responde ao nosso contacto, e coloca-nos algumas perguntas para a peça.
  • 17h30: A interface fica live.
  • 18h20: Decidimos colectivamente que esperar pela cobertura mediática vai demorar tempo a mais e vamos perder a janela de oportunidade. Apostamos no Reddit. Uma única publicação no Reddit fica live no r/portugal, atrai atenção imediatamente. As visitas começam a chegar.
  • 19h50: 300 visitantes chegam a amalia.layerx.xyz.
  • 21h50: Screenshots de conversas com a AMÁLIA começam a aparecer no X, usando a nossa interface. As pessoas estão agora a partilhar os seus chats com amigos e seguidores nas redes sociais.
  • 22h: A publicação no Reddit atinge 26.000 visualizações. Chegaria depois a mais de 50.000 em 24 horas, e mais de 75.000 visualizações, 100 likes e 137 comentários, à data de escrita.
  • O primeiro dia trouxe 2.318 visitantes. O segundo trouxe 4.550. Quase sete mil pessoas nas primeiras 48 horas após o lançamento.

O que realmente distribuiu

Assim que o tráfego chegou, o padrão ficou claro. Direct foi a maior fonte (pessoas a escrever o URL depois de o verem noutro sítio), seguido do X e do Reddit.

O Reddit foi a rede social que gerou a tração inicialmente, mas após as primeiras horas foi ultrapassado pelo X. O alcance do Twitter era astronomicamente maior que uma única publicação no Reddit, e a ferramenta espalhou-se ainda mais depressa, com figuras políticas e outros a partilhar as suas conversas usando a nossa interface.

(fonte: https://x.com/cgpliberal/status/2072746727593910378)

O Facebook e o Google vieram a seguir. O LinkedIn e a newsletter fizeram números modestos (embora os posts pessoais da equipa, no LinkedIn, tenham corrido muito bem).

Falámos directamente com a Sapo Tek, e os media nacionais acabaram por pegar no assunto. O Observador, The Next Big Idea, Techenet e o Polígrafo da SIC mencionaram todos o LLM por causa da nossa interface.

Se tivéssemos ficado comprometidos exclusivamente com um plano de imprensa primeiro, teríamos conseguido alguma cobertura, claro, mas o motor word-of-mouth são os fóruns sociais, e esta foi uma decisão chave.

Doze dias depois, os números

Perto de 12.000 pessoas usaram a AMÁLIA através da nossa interface, enviando cerca de 35.000 mensagens e recebendo quase 36.000 respostas. Setenta e três por cento eram de Portugal, que é exactamente para quem o modelo foi construído. O resto veio maioritariamente dos EUA, Países Baixos, Irlanda e Espanha.

As pessoas ficaram. A visita média durou perto de seis minutos, e apenas 28% saíram sem interagir. Elevado engagement para uma ferramenta que ninguém conhecia duas semanas antes.

O login mudou a forma como as pessoas a usaram. Os guests enviaram cerca de 13 mensagens cada antes de abandonarem o website. As pessoas que criaram uma conta enviaram perto de 36.

O que funcionou e o que não funcionou

O que funcionou: o timing. Agimos quando o sinal de procura apareceu. Vinte e quatro horas mais tarde, alguém teria construído isto. Quarenta e oito horas mais tarde, três outras equipas teriam construído. Lançámos dentro da janela.

O que funcionou: a qualidade de produção. A interface estava polida o suficiente para que as pessoas quisessem tirar screenshots e partilhá-la. Mas acima de tudo, funcionou. Mesmo sob carga, quando tivemos picos massivos de visitantes nas primeiras horas, a nossa equipa de desenvolvimento tinha construído sistemas para evitar que a interface parasse completamente. Não há nada pior do que atingir o pico de timing viral e de repente o website estar em baixo.

O que subestimámos. O quanto as pessoas queriam experimentar isto. Sabíamos que tinha potencial viral. Estávamos a pensar "algum interesse, alguma cobertura." Estávamos errados. As pessoas queriam mesmo experimentar a AMÁLIA. É por isso que tomámos a decisão de publicar no Reddit imediatamente, não como Plano B, e valeu a pena.

Porque é que estou a partilhar isto

Nada disto foi um manual de génio. É mais um testemunho de como se pode aproveitar o momentum e transformá-lo em algo accionável, colectivamente, como empresa.

Agir rápido é uma competência frequentemente mal compreendida.

Implementar produtos normalmente demora mais do que o esperado. As equipas de engenharia constroem funcionalidades em cima de funcionalidades enquanto o produto ainda está a ser criado, em vez de estar à frente dos clientes.

O marketing, por outro lado, tenta chegar a todo o lado. Mas agir como um polvo só funciona se houver presa suficiente por perto. E isso não acontece com muita frequência.

Tínhamos de garantir que todas as peças em movimento cumpriam o seu papel, e fazer escolhas de última hora que mudaram o curso do impacto.

O manual, se quiseres um, é este: identifica a oportunidade; lança a coisa mais pequena e útil rapidamente; certifica-te de que não parte; e distribui-a no(s) canal(is) onde a audiência realmente vive.

Para a AMÁLIA, foi o r/portugal e o X, não a primeira página de um jornal nacional.

Para a próxima coisa, será algures diferente. Estaremos a observar.